Universo literário fascinante da escritora Patricia Highsmith

O relançamento do perturbador “Águas profundas” — que Gillian Flynn, de “Garota exemplar”, revelou em 2014 ser seu livro de cabeceira — pode ser a oportunidade para novas gerações de leitores entrarem em contato com o universo literário fascinante de Patricia Highsmith, composto por 22 romances, oito livros de contos, um infantil e um de não ficção.

Série Ripley, de 1955 a 1992

A série com os cinco livros protagonizados por Tom Ripley (chamada lá fora de “The Ripliad”), de 1955, quando “nasceu” em “O talentoso Ripley”, até 1992, data de lançamento de “Ripley debaixo d’água”. Sedutor, o mais famoso “herói psicopata” de Highsmith não vacila em cometer qualquer crime para obter o que deseja. Até mesmo roubar a identidade de gente que ele mata. “É melhor ser um falso do que um verdadeiro ninguém.” Os outros três livros do quinteto são: “Ripley subterrâneo”, de 1970; “O jogo de Ripley”, de 1974; e “O garoto que seguia Ripley”, de 1980. Curiosidade: o livro inaugural da série foi escrito numa cabana que Highsmith alugou de um agente funerário.

“Pacto sinistro”, de 1950

O cartão de visitas de Highsmith ao mundo. Até então, a autora dedicava seu talento, com excelência, a histórias em quadrinhos. A trama, mais vista do que lida (e há diferenças gritantes entre o livro e o filme de Hitchcock), é de suspender a respiração: num encontro casual em um trem, dois estranhos até então acertam uma troca de crimes, a morte da mulher de um pelo assassinato do pai do outro.

“Carol”, de 1952

Lançado originalmente com o título de “The price of salt” e sob o pseudônimo de Claire Morgan. Ousado para a época, o romance “lésbico” só ganharia o título de “Carol” e o nome de Highsmith na capa em 1990. Mais uma vez, o cinema cuidou para popularizar uma obra da autora. Lançada em 2015, a adaptação por Todd Haynes e estrelada por Cate Blanchett e Rooney Mara impulsionou as vendas do romance.

“Resgate de um cão”, de 1972

Vale pela raridade de ler uma obra de Highsmith protagonizada por um policial. Também aqui mais um exemplo de como a americana acertava, no mundo da ficção, as contas com seus muitos desafetos na vida real. No romance, ela “mata” uma poddle chamada Tina, raça e nome do pet que considerava insuportável da sua amante nos anos 1950 Ellen Hill. A edição é dos anos 1980, da Brasiliense na incontornável coleção Circo de Letras. Relativamente fácil de achar em sebos virtuais e físicos.

“O observador de caracóis”, de 1970

Com prefácio do fã Graham Greene, é uma das melhores coletâneas de contos da autora, com destaque para o que dá título ao volume e é baseado num episódio real: o dia em que nasceu a fascinação de Highsmith pelos moluscos, depois de seguir sem despregar o olho a lenta e muito longa cópula entre dois deles. Várias vezes, ela contou que levava seus caracóis, chegou a ter mais de 300, nas viagens que fazia, dentro dos EUA ou a Paris. Observação: também só encontrável em sebos o livro lançado pela portuguesa Teorema em 1987.

Fonte: O Globo